Fotos: Vinicíus Becker
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) divulgou recentemente dados preocupantes ligados à saúde da mulher. Para o triênio 2026-2028, estima-se o surgimento de 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil.
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No Rio Grande do Sul, seriam 3.790 diagnósticos apenas em 2026. Embora haja outros tipos de câncer, o de mama continua sendo a principal causa de morte por neoplasias entre mulheres no país, reforçando a importância do acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequado.
Para mudar esse cenário, o Ministério da Saúde disponibiliza exames de mamografia para mulheres de 40 anos ou mais pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em caso de alterações, a usuária é orientada a realizar um ultrassom de mamas. O exame também é ofertado pelo sistema, mas em menor quantidade. Em Santa Maria, cerca de 4 mil mulheres aguardavam desde 2022 por esse exame.
A situação começou a mudar em 2026, após a destinação de uma emenda impositiva à Secretaria da Saúde no valor de R$ 338 mil. O recurso possibilitou que a pasta contratasse empresas que prestam o serviço, reduzindo a longa fila de espera.
Diálogo
Ao Diário, a enfermeira responsável pela política de Saúde da Mulher, Bruna Dedavid da Rocha, falou sobre o exame e o cenário de Santa Maria.
– O ultrassom de mamas não é o principal exame de rotina para o rastreamento do câncer de mama. Esse papel cabe à mamografia bilateral. O ultrassom é importante como avaliação complementar após uma mamografia alterada ou inconclusiva em mulheres a partir dos 30 anos. Para mulheres mais jovens, com mamas densas, histórico familiar ou alto risco, ele pode ser indicado antes dos 30 anos, inclusive. Quando fizemos um levantamento da demanda, encontramos uma lista de espera de aproximadamente 4 mil mulheres aguardando desde 2022. Como o ultrassom não é um exame de rotina, esse número elevado nos preocupou - comentou.

Ainda segundo Bruna, além de mamografias, o Hospital Casa de Saúde também presta o serviço de ultrassom de mamas, entretanto, o número mínimo de exames é dividido entre outros municípios. A solução encontrada pela Secretaria da Saúde para reduzir a fila de espera foi pagar exames em clínicas particulares via consórcio. Para isso, a equipe entrou em contato com o vereador Luiz Roberto Meneghetti (Novo) entre 2024 e 2025, que acabou destinando R$ 338 mil para a causa.
– As pessoas fazem a consulta na unidade básica e saem com as requisições de exames. Porém, sem o exame, não conseguem avançar na consulta com o especialista e posteriormente, com o tratamento. Então, buscamos dentro dos recursos que tínhamos para fazer essa orientação no Orçamento, dar vazão a essa demanda que existia na cidade e conseguir que essas mulheres tivessem acesso ao ultrassom. O Estado fornece cerca de 20 exames por mês. Ou seja, essa fila se estenderia por anos. Também eu tenho proximidade com a causa do câncer de mama, porque já acompanhei o processo dessa doença e sei da importância do diagnóstico precoce. Então, resolvi fazer a destinação dessa emenda – justificou o vereador.
Serviço
Com a garantia da destinação do recurso, a Secretaria da Saúde passou a analisar a lista de espera, entrando em contato com as usuárias e verificando quais já haviam realizado o exame em instituições particulares. Devido a limitação de pessoal, os agendamentos com quem ainda precisava do ultrassom começaram a ser feitos em fevereiro. Bruna afirma que, para o andamento do processo, as unidades de saúde têm sido essenciais.
– As mulheres em lista de espera devem procurar sua unidade de saúde para avaliar a necessidade do agendamento. Aquelas com queixas, nódulos palpáveis ou histórico familiar devem agendar consulta com médico ou enfermeiro para um exame físico. Eles avaliarão se o caso pede mamografia (focada na faixa de 50 a 69 anos, mas agora indicada a partir dos 40) ou se há necessidade do ultrassom complementar. É importante dizer que agora a principal dificuldade não é o recurso ou a vaga, mas o contato com as pacientes. Muitas vezes o telefone está desatualizado. Por isso, o apoio das unidades de saúde e dos agentes comunitários é vital para localizar essas mulheres em seus domicílios- orientou.
Outro grande problema relatado pela enfermeira é a abstenção. Em fevereiro, das 378 usuárias que foram agendadas, apenas 284 compareceram ao local do exame. Se você aguarda por um ultrassom de mama, entre em contato com a Secretaria da Saúde pelos seguintes números de Whatsapp: (55) 99149-1837, (55) 99178-3119, (55) 99158-3916, (55) 99142-7093 e (55) 99178-0823.
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Vagas
Com o recurso, foi possível contratar seis empresas que prestam o serviço ultrassom de mamas em Santa Maria. Uma delas é a Rad + Radiologia, localizada no Bairro Nossa Senhora de Lourdes. O processo de negociação de vagas com esta e outras entidades é detalhado pela enfermeira responsável pela política de Saúde da Mulher.
– Assim que virou o ano para 2026, iniciamos a programação do recurso, conversando com prestadores para definir as vagas e começar os agendamentos em fevereiro. Temos cerca de seis prestadores privados. Eles têm liberado de 10 a 30 vagas por semana, dependendo da clínica. Temos capacidade de aumentar a oferta, mas esbarramos na nossa capacidade administrativa de realizar todos os agendamentos simultaneamente. Acredito, sim, que podemos chegar próximo de zerar a lista, mas ela se retroalimenta com novos casos semanais.
Mobilização
O acesso de mulheres à saúde e as condições para que isso ocorra é uma pauta que vai além de março.
– O ultrassom é relevante para complementar o diagnóstico, especialmente em mulheres jovens ou naquelas que já apresentam alterações na mamografia. Ele ajuda o profissional a visualizar nódulos e dar um laudo definitivo para encaminhar a paciente precocemente para cirurgia ou tratamento. Isso aumenta as chances de sobrevida – reforça Bruna.
A importância do exame é comentada por Meneghetti.
– Estive no período de janeiro e fevereiro em contato com a Secretaria da Saúde e fiquei muito feliz em saber que os agendamentos já estavam ocorrendo. No mês de fevereiro, já tivemos 378 agendamentos, 284 exames realizados e 20 tiveram indicação de biópsia, ou seja, os exames já tiveram a sua função de indicar as investigações necessárias. O câncer de mama ainda é o tipo que mais mata mulheres no país. Por isso, precisamos seguir mobilizando- finalizou.